
Compartilhando momentos
Momentos unicos compartilhados, memorias ao tempo
sexta-feira, 16 de outubro de 2026
Se a física permitisse dobrar o tecido do espaço e desvendar os segredos das eras, minha única e constante viagem no tempo seria em tua direção. Não cruzaria os séculos para testemunhar impérios desabando ou para decifrar os mistérios de estrelas já extintas. Se eu detivesse o ponteiro do absoluto, escolheria a simplicidade eterna de nos eternizar no instante exato em que teus olhos cruzaram os meus pela primeira vez.
O amor, em sua essência mais pura, é a única máquina do tempo real que possuímos. Ele suspende as horas, transforma segundos em séculos de puro sentimento e faz com que uma vida inteira pareça breve demais ao teu lado. Viajo ao passado toda vez que a memória resgata o calor do teu abraço, operando o milagre de reviver o que já foi, com a mesma intensidade do agora. E viajo ao futuro quando fecho os olhos e consigo nos desenhar lá na frente: duas almas calmas, cabelos polvilhados de prata, rindo das mesmas bobagens numa varanda qualquer.
Escrever-te é um ato de rebeldia contra a brevidade dos dias. Que as engrenagens do destino continuem girando, mas que o nosso laço permaneça intocado por qualquer era. És o meu porto firme na volatilidade dos anos, o meu poema manuscrito na urgência da modernidade. Se o tempo é um rio que corre implacável rumo ao esquecimento, nós dois somos a margem eterna onde o amor decidiu repousar. Viajarei por mil épocas, mas meu coração sempre saberá regressar para casa. E a minha casa, em qualquer século ou dimensão, será sempre e inevitavelmente tu.

O silêncio branco de Daniel Kordan
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